A Fundação Galp Energia, patrocinadora principal do Comité Paralímpico de Portugal (CPP), dá-lhe conta das especificidades da equitação enquanto desporto paralímpico.
A equitação adaptada é um desporto praticado por atletas com deficiência motora, visual e intelectual, englobando, assim, todos os tipos de deficiência. Praticada na variante de «dressage» (ensino), a equitação adaptada dá assim origem ao Ensino Adaptado ou «Paradressage». Para praticar esta modalidade, os atletas devem enquadrar-se nos critérios mínimos de incapacidade, conforme definido pelo Comité Paralímpico Equestre Internacional (IPEC).
Esta modalidade consiste em demonstrações realizadas em picadeiro, onde se executam exercícios e figuras segundo um traçado definido. Os cavaleiros competem em duas provas distintas de dressage: primeiro, completam uma prova de campeonato, de movimentos definidos; após esta fase, segue-se a prova livre, acompanhada de música. Nesta modalidade existe ainda uma prova em equipa, a qual contempla grupos de três a quatro atletas.
As provas de «Paradressage» são mistas e os atletas são agrupados de acordo com o seu perfil de capacidades funcionais. Existem quatro graus diferentes, que correspondem às diferentes incapacidades dos cavaleiros. A cavaleira Sara Duarte explica em que consistem estas distinções: “O grau 1 pressupõe exercícios a passo e/trote; o grau 2 exige um pouco mais de trote e algumas figuras de picadeiro com maior nível de dificuldade; o grau 3 requer exercícios nos três andamentos – passo, trote e galope; por último, o grau 4 pressupõe trabalho em duas pistas, com dificuldade considerável, onde a exigência em termos de equitação é maior”.
A avaliação dos atletas prende-se com a exibição de capacidades de equitação por parte do cavaleiro enquanto monta o respectivo cavalo e pelo uso de passo, trote e meio galope. De entre os diversos benefícios da equitação, a Federação Adaptada Equestre Portuguesa destaca “a melhoria do equilíbrio, autocontrole, mobilidade, condição física, memória e liberdade”, objetivos a serem alcançados através da execução dos movimentos exigidos em prova e da manutenção de um bom ritmo ao longo da mesma.
A edição de 1996 dos Jogos Paralímpicos, realizada na cidade norte-americana de Atlanta, foi a primeira a receber provas equestres; atualmente são já 40 os países com representação nesta modalidade paralímpica. A estreia de Portugal na equitação adaptada deu-se em Atenas 2004, através do atleta Carlos Pereira; Sara Duarte estreou-se na edição seguinte, em Pequim 2008. Agora, em Londres, a cavaleira será novamente a única representante portuguesa na modalidade, naquela que será a sua segunda participação paralímpica.
Fonte: Comité Paralímpico de Portugal