Desenvolvimento dos campos Lula e Cernambi
O plano de desenvolvimento dos campos Lula e Cernambi, entregue em simultâneo com a Declaração de Comercialidade, prevê a instalação de nove FPSO (floating production,storage and offloading), das quais sete serão instaladas na área de Lula e duas serão instaladas na área de Cernambi.
A primeira FPSO permanente, Cidade de Angra dos Reis, com capacidade de produção de 100.000 barris de petróleo por dia, está já em operação no campo Lula. Prevê-se uma FPSO adicional, com capacidade de produção de 120.000 barris por dia, para a área nordeste do campo de Lula, com previsão de entrada em operação em 2013. Em 2014, deverá entrar em produção uma FPSO adicional, com capacidade de 150.000 barris de petróleo por dia, destinada ao campo de Cernambi.
Em novembro de 2010, foram contratados seis cascos de FPSO, cada um com uma capacidade de produção de 150.000 barris de petróleo por dia, destinados aos campos de Lula e de Cernambi, no Bloco BM-S-11, e com entrada estimada em operação entre 2015 e 2017.
O plano de desenvolvimento prevê a operação dos primeiros três módulos de produção em regime de aluguer,à semelhança da FPSO Cidade de Angra dos Reis. Considerando os resultados obtidos e a expetativa de disponibilidade de plataformas de produção, o plano de desenvolvimento atual tem um perfil mais agressivo do que o conceito inicialmente previsto. Assim, o pico de produção está previsto para o período de 2019/2020 e o atual prazo de desenvolvimento estende-se até 2037. Sempre que possível, tentar-se-á padronizar os sistemas de produção, de projetos de poços, de equipamentos, de materiais e de serviços, considerando o requisito de incorporação de elevado conteúdo local dos projetos.
O desenvolvimento da área de Lula e Cernambi será executado de acordo com as melhores práticas, cumprindo rigorosamente as regulações aplicáveis dos planos da segurança operacional e do ambiente e considerando a sua dimensão. O desenvolvimento terá as seguintes etapas:

• Perfuração de poços de extensão e realização de testes de longa duração em localizações onde serão implementadas futuras unidades de produção;
• Implementação de projetos-piloto para antever a produção, testar tecnologias em escala de campo, avaliar processos de recuperação melhorada, como a injeção de água em carbonatos e a injeção alternada de água e gás;
• Projeção e instalação de unidades de produção com flexibilidade para acomodar a evolução do comportamento do reservatório e fluidos produzidos ao longo da vida do campo e que, ao mesmo tempo, sejam robustas e capazes de operar durante muitos anos.
Os projetos de produção terão como objetivo maximizar a recuperação de hidrocarbonetos e a redução de emissões, sobretudo as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.
Projeto-piloto
Em outubro de 2010 entrou em operação a FPSO Cidade de Angra dos Reis, o primeiro sistema definitivo de produção instalado na área de Tupi, no pré-sal da bacia de Santos.
Na fase inicial do projeto-piloto no campo de Lula, prevê-se um total de nove poços, que serão interligados individualmente à FPSO Cidade de Angra dos Reis através de linhas e de risers flexíveis. No pico de produção prevê-se que estejam ligados à FPSO seis poços produtores de petróleo, um poço injetor de gás, um poço injetor de água e outro capaz de injetar água e gás alternadamente.

O petróleo produzido é escoado através de navios para terminais instalados em terra e o gás natural é tratado, comprimido e exportado por um gasoduto com um comprimento de 217 quilómetros até à plataforma de Mexilhão, que opera num campo de gás em águas rasas na mesma bacia. Este gasoduto foi instalado e está a ser testada a exportação de gás natural para terra, através de um gasoduto de 137 quilómetros de extensão, para uma unidade de tratamento de gás. Nesta unidade, o gás será tratado antes de ser distribuído para o mercado consumidor. Parte do gás natural será também aproveitado para gerar energia a bordo e, eventualmente, para ser reinjectado no reservatório, no processo de produção, com o objetivo de avaliar a eficiência do método de recuperação através da injeção de gás.
Em função do comportamento do reservatório, serão tomadas as medidas necessárias para permitir a permanência deste primeiro módulo de produção naquele local por um período de 27 anos. Em função dos resultados da fase inicial e após a análise de viabilidade técnico-económica, considerar-se-á acrescentar, a partir de 2013, a interligação de mais poços para a manutenção do patamar de produção da FPSO. A serem realizados, estes poços farão parte do desenvolvimento complementar de Lula.
O sistema-piloto complementará os dados técnicos recolhidos durante o TLD com informações críticas sobre o reservatório e a produção, indispensáveis à conceção das futuras unidades que irão operar no pré-sal. Os dados a obter com o projeto-piloto permitirão definir a estratégia mais adequada para o desenvolvimento daquela área, nomeadamente a otimização do número de poços, a sua geometria, o tipo de estimulação e a sua localização. O projeto permitirá avaliar o escoamento do petróleo nas linhas submarinas, o desempenho dos sistemas submarinos de recolha de produção, incluindo os risers, e o desempenho da unidade de processamento, sobretudo os sistemas de separação e injeção de dióxido de carbono.
Além disso, o projeto-piloto permitirá avaliar o desempenho de diversos métodos de recuperação suplementar, que são fundamentais para aumentar o fator de recuperação dos reservatórios.